GOIÂNIA

Projeto preserva cultura da pesca artesanal de mexilhões em Niterói

COMPARTILHE

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
© Tânia Rêgo/Agência Brasil


Os primeiros resultados práticos do projeto Futuro Próspero da Produção de Mexilhões: da Tradição ao Dinamismo em Niterói, na região metropolitana do Rio, devem ser apresentados em três meses. Desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF), o projeto visa preservar o conhecimento e a cultura dessa atividade. A iniciativa é do Programa de Desenvolvimento de Projetos Aplicados, parceria da universidade com a prefeitura do município, com o apoio da Fundação Euclides da Cunha.

Criado pela doutora em ciências biológicas e professora da UFF Eliana Mesquita, o projeto deveria ter sido iniciado no fim de 2019. Com a pandemia da covid-19, pesquisadores não tiveram acesso às comunidades de pescadores e enfrentaram outro problema – o fechamento dos laboratórios da universidade, principalmente de microbiologia e físico-químico.

Entre as prioridades do programa, destaca-se o monitoramento da qualidade higiênico-sanitária dos mexilhões produzidos em Niterói, já que um dos entraves para a pesca artesanal é a poluição na Baía de Guanabara.

Os mariscos bivalves (com duas conchas) são animais filtradores do meio ambiente. É preciso que passem por processo de depuração, para que possam ser comercializados e, consequentemente, consumidos, inclusive in natura. Os pesquisadores estão montando depurador simples, com preço acessível às comunidades, e fazendo levantamento da qualidade atual da água e dos mexilhões, para exame posterior.

Agregar valor

A divulgação de informações sobre empreendedorismo para marisqueiros, atividade tradicional do município, e a criação de unidade de beneficiamento de moluscos, para melhoria das condições de trabalho e segurança do alimento, são metas do projeto. “A gente pretende dar a eles condições sanitárias muito melhores e agregar valor aos mariscos, com novos produtos”. Eliana citou a produção de marinados e de sopas liofilizadas. O processo de liofilização consiste em tecnologia de secagem, baseada na remoção da água por meio da sublimação da água presente no alimento.

LEIA TAMBÉM  Geladeiras devem exibir hoje nova etiqueta de eficiência energética

Segundo a professora, a parte de microbiologia é o foco maior para os pesquisadores “porque vai dizer se o molusco está bom para consumo”. Será feito também o mapeamento das comunidades de pescadores de mexilhões, com localização, “planejamento de atividades, de modo que possam se orientar, se organizar e entender o que é o projeto”. Eliana Mesquita lembrou que a pandemia obrigou muitos pescadores artesanais a procurarem outros meios de subsistência. Eles passaram a atuar como frentistas de postos de gasolina, motoristas de carros de aplicativo, ambulantes e, inclusive, em lixões.

O trabalho se concentra em três localidades onde, até hoje, muitos marisqueiros vivem da pesca artesanal, entre elas Jurujuba, Boa Viagem e Centro. O projeto quer preservar esse saber, passado de geração a geração, que constitui marca da cultura niteroiense, contribuindo para a construção de pólo gastronômico próprio da região, com alimentos de alto valor nutricional, e que funcione como atrativo para turistas, a exemplo do que ocorre com o pintado nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país.

O projeto tem colaboração da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro RJ) e da Fundação Instituto de Pesca (Fiperj), informou Eliana.

LEIA TAMBÉM  Conta de luz: Aneel aprova aumento médio de 12% em São Paulo

Emprego e renda

O reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, afirmou que a pesca artesanal contribui de forma direta para geração de emprego e renda, ação fundamental no momento em que as pessoas estão passando por grandes dificuldades.

Eliana Mesquita destacou que o conhecimento transmitido de geração em geração é de extrema importância para o presente e o futuro da produção de moluscos bivalves, de forma sustentável e rentável para essas populações, ajudando a combater o desemprego, principalmente entre as mulheres, que mais trabalham na área. Outra ideia é identificar o que se pode fazer com os resíduos sólidos dos mariscos, como as conchas dos mexilhões, para aproveitamento no artesanato e como fertilizante.

O projeto pode ajudar também na criação de melhores condições para prática de maricultura mais racional, concentrando a atividade em áreas limpas, não contaminadas, e seguindo exigências da vigilância sanitária. “É fundamental mostrarmos que isso fará com que o produto tenha valor muito maior de mercado”. Além de levar conhecimento científico para o dia a dia dos pescadores, o projeto contribui para criação de políticas públicas e boa qualidade de vida da população local.

Edição: Graça Adjuto

COMPARTILHE

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

RELACIONADAS